Primeira reunião do AA ou do NA: como é e o que esperar

Por Gilberto Riccio, advogado (OAB/BA 46.638) e Diretor Jurídico do centro · Atualizado em 19/10/2026

Na primeira reunião do AA ou do NA, você chega, senta e escuta: não paga nada, não precisa falar e não precisa provar que tem problema. Um coordenador abre a reunião, alguns membros contam a própria experiência e, no fim, quem quer pode partilhar. Basta o desejo de parar de beber ou de usar.

O medo da primeira vez é normal e pode levar a pessoa a adiar a ida: medo de ser reconhecido, de ter de falar, de não “se encaixar”. Este guia mostra o que acontece lá dentro, para quem vai e para a família que acompanha.

Como funciona uma reunião do AA, do começo ao fim?

Cada grupo tem seu jeito, mas o roteiro costuma ser parecido. Segundo o próprio Alcoólicos Anônimos, em comunicado oficial sobre as reuniões abertas, uma reunião típica tem um coordenador e alguns oradores. O coordenador abre, apresenta quem vai falar e, depois de um tempo de partilha e conversa, encerra.

Na prática, a sequência que muita gente encontra é esta:

  1. Abertura: o coordenador dá as boas-vindas e costuma perguntar se há alguém pela primeira vez. Levantar a mão é opcional.
  2. Leituras curtas: trechos da literatura do grupo, como os passos ou as tradições.
  3. Partilhas: membros contam como era a vida com o álcool ou a droga e o que mudou. Ninguém interrompe nem dá conselho no meio da fala.
  4. Contribuição voluntária: pode passar uma sacola ou caixinha. Não existe mensalidade, e quem chega não precisa colocar nada.
  5. Encerramento: alguns grupos fecham com uma oração ou leitura. Quem preferir pode só ficar em silêncio.

Depois que a reunião acaba, é comum alguém puxar conversa, oferecer um café ou um telefone. Aceitar é escolha sua.

Reunião aberta ou fechada: qual escolher na primeira vez?

Essa dúvida é comum, principalmente entre familiares. A diferença é quem pode entrar:

TipoQuem pode participarBom para
AbertaQualquer pessoa, com ou sem problema com álcool ou drogasQuem quer conhecer antes de decidir; familiar que vai junto; estudante ou profissional
FechadaSó quem tem o desejo de parar de beber (no AA) ou de usar (no NA)Quem já decidiu tentar e quer falar com mais liberdade

O AA explica que, na reunião aberta, o único pedido aos visitantes é não revelar fora dali os nomes dos membros, para proteger o anonimato. Existem ainda reuniões voltadas a públicos específicos, como jovens, mulheres, homens e iniciantes, além das reuniões virtuais.

Se o problema principal é o álcool, o caminho natural é o AA. Se envolve outras drogas, o NA acolhe todas, inclusive o álcool. Para entender o programa que se trabalha nos grupos, leia os 12 passos explicados em linguagem simples.

Preciso estar sem usar para ir à primeira reunião?

Não. O folheto do NA “Para o recém-chegado” diz que não é preciso estar limpo ao chegar e sugere que, depois da primeira reunião, a pessoa volte sem ter usado. O mesmo folheto lembra que não se paga joia nem mensalidade e que o único requisito é o desejo de parar.

Um cuidado importante: quem bebe muito todos os dias ou usa calmantes em grande quantidade não deve parar de uma vez por conta própria só porque decidiu ir ao grupo. A interrupção brusca pode causar convulsões ou confusão mental e pede avaliação médica antes.

Como se preparar para a primeira reunião: roteiro prático

Uma ferramenta simples para os dias antes da ida:

  1. Escolha duas opções de grupo perto de casa, do trabalho ou on-line, pelos sites oficiais. Se a primeira não acontecer, a segunda está pronta.
  2. Decida o horário e avise alguém de confiança. Combinar com um irmão, um amigo ou a equipe que acompanha ajuda a não desistir na hora.
  3. Chegue alguns minutos antes. Se quiser, diga a quem estiver na porta que é sua primeira vez.
  4. Combine consigo mesmo só ouvir. Falar é para quando você quiser, nesta ou em outra reunião.
  5. Anote uma frase que marcou. Ajuda a lembrar por que vale voltar.
  6. Marque a próxima antes de sair. O próprio grupo costuma sugerir ir a várias reuniões antes de julgar se serve ou não.

Para quem mora em Camaçari, Lauro de Freitas ou Salvador, vale olhar grupos em mais de um bairro: horário e clima mudam muito de um para outro. Com o tempo, muita gente encontra ali alguém para acompanhá-la, como explicamos em o que faz o padrinho no AA e no NA.

O que a família pode fazer nessa primeira ida?

Oferecer carona, ir junto a uma reunião aberta ou só esperar do lado de fora já é muito. O que atrapalha é cobrar relatório na saída (“o que você falou lá?”) ou transformar a ida em condição de briga. O que se diz na reunião é dele.

A família também tem seus próprios grupos, com a mesma ideia de partilha: o Al-Anon, para quem convive com alguém que bebe, e o Nar-Anon, para familiares de quem usa drogas. Veja como funcionam em grupos de apoio para familiares.

Quando o grupo não basta sozinho?

O AA e o NA são apoio entre pares. Eles não fazem diagnóstico, não prescrevem remédio e não cuidam de abstinência. Procure avaliação profissional, além do grupo, quando:

  • o uso é diário e pesado, ou já houve tremores, convulsões ou confusão ao tentar parar;
  • as recaídas se repetem mesmo frequentando reuniões;
  • aparecem tristeza profunda, ansiedade forte, delírios ou agressividade;
  • a família não consegue mais manter a segurança em casa.

Os grupos funcionam melhor como uma das peças do cuidado, junto com as etapas do tratamento da dependência química.

Se surgirem falas sobre não querer viver, o CVV atende 24 horas pelo 188, de graça. Em risco imediato à vida, procure a emergência mais próxima ou ligue 192 (SAMU).

Como podemos ajudar

No Centro Terapêutico Amor em Cristo, em Monte Gordo, Camaçari, o plano terapêutico individual prepara a vida depois da alta, incluindo a aproximação com grupos de apoio, com avaliação psiquiátrica presencial, enfermagem 24 horas e a família participando, sempre com sigilo. Conheça o tratamento para alcoolismo. Recebemos famílias de Lauro de Freitas e de toda a Bahia.

Em resumo

  • Na primeira reunião, ninguém é obrigado a falar, pagar ou se identificar.
  • Reunião aberta recebe qualquer pessoa; a fechada é só para quem quer parar.
  • Não é preciso estar sem usar para chegar, mas parar de uma vez o álcool ou os calmantes pede médico.
  • Vale ir a várias reuniões e a mais de um grupo antes de decidir.
  • O grupo ajuda muito, mas não substitui o tratamento quando o caso pede.

Perguntas frequentes

Posso ir à reunião se bebi ou usei no mesmo dia?

Pode. O folheto do NA para o recém-chegado diz que não é preciso estar limpo para chegar, e sugere que a pessoa volte nas próximas sem ter usado. O que vale é o desejo de parar. Se houver sinais de intoxicação forte, a prioridade é a saúde: procure atendimento antes.

Tenho de dizer meu nome ou me apresentar como alcoólico?

Não. Muitos membros se apresentam só pelo primeiro nome, e o recém-chegado pode apenas ouvir. Ninguém pede documento, sobrenome ou que você se rotule para ficar na sala.

Meu familiar pode entrar comigo na primeira reunião?

Depende do tipo de reunião. Nas abertas, qualquer pessoa pode assistir, inclusive a família, desde que não revele lá fora quem estava presente. Nas fechadas, só entra quem quer parar. Na dúvida, pergunte ao grupo antes.

Reunião on-line serve como primeira reunião?

Serve, e para muita gente é um jeito mais fácil de começar. O AA e o NA também têm reuniões virtuais. Ainda assim, vale tentar conhecer um grupo presencial depois, porque o contato com as pessoas costuma pesar muito na recuperação.

E se eu encontrar um vizinho ou um colega de trabalho lá?

Ele está ali pelo mesmo motivo que você. O anonimato é um princípio dos grupos: o que se vê e se ouve na reunião não deve sair dela. Se isso ainda incomodar, dá para escolher um grupo em outro bairro.

Mais sobre tratamento e recuperação

Ver todos os artigos sobre tratamento e recuperação

Preencha a ficha de acolhimento online