Anvisa quer novas imagens nos maços: a família pode opinar

Por Gilberto Riccio, advogado (OAB/BA 46.638) e Diretor Jurídico do centroAtualizado em 23/10/2026

Foto real do Centro Terapêutico Amor em Cristo, em Monte Gordo, Camaçari: vista geral da unidade

A Anvisa abriu duas consultas públicas sobre as imagens e mensagens de alerta em cigarros e em mostruários, e a população pode enviar contribuições até 23 de novembro de 2026. Quem convive com alguém que fuma pode participar com a experiência de casa, sem precisar de linguagem técnica.

A discussão parece distante da rotina de uma família, mas é um dos poucos momentos em que quem sofre com a dependência de um parente é convidado a falar com o órgão que regula o produto.

O que a Anvisa colocou em consulta pública?

Segundo a Anvisa, foram abertas em 9 de outubro duas consultas:

ConsultaO que discute
CP 1.424/2026Advertências e mensagens nas embalagens de cigarros e outros derivados do tabaco
CP 1.425/2026Advertências e mensagens nos expositores e mostruários dos mesmos produtos

As propostas revisam as Instruções Normativas 332/2024 e 331/2024 e trazem novas imagens ilustrativas nos anexos. Elas foram aprovadas pela Diretoria Colegiada da Anvisa e elaboradas pela área que cuida dos produtos fumígenos.

Como participar da consulta pública?

A Anvisa informa que as contribuições são feitas pelas páginas das consultas no portal de legislação do órgão, onde também estão a íntegra das propostas e os documentos de apoio. O prazo final é 23 de novembro.

Um passo a passo simples:

  1. Abra o portal de legislação da Anvisa e procure as consultas 1.424/2026 e 1.425/2026.
  2. Leia a proposta e olhe as imagens dos anexos.
  3. Escolha o ponto que você quer comentar: uma imagem, uma frase, a clareza da mensagem.
  4. Escreva em poucas linhas o que mudaria e por quê, sem citar nomes de pessoas da sua família.
  5. Envie antes do prazo e guarde o comprovante.

Não é preciso opinar sobre tudo. Uma contribuição curta e clara pesa mais do que um texto longo e confuso.

O que a família pode dizer que um técnico não diria?

Quem vive com alguém que fuma sabe coisas que não aparecem em relatório: a mensagem que o filho entendeu, a imagem que o pai ignorou, a frase que fez uma tia pensar. Você pode contribuir com perguntas como:

  • A imagem é compreensível para quem lê pouco ou lê rápido?
  • A mensagem diz o que a pessoa deve fazer ou só o que acontece?
  • O alerta aparece onde a pessoa realmente olha, na hora da compra?

Nada disso exige dado clínico. Evite números que você não conferiu: a consulta é um espaço para a sua experiência, não para estatística de internet.

Como usar o tema para conversar com quem fuma?

A consulta é um bom pretexto para falar de nicotina sem cobrança. Em vez de "você precisa parar", experimente perguntar o que a pessoa acha das imagens e se já pensou em ter ajuda. Combine um momento calmo, sem plateia.

Alguns cuidados:

  • não faça da conversa uma prova de força nem uma negociação de ameaças;
  • ofereça companhia para procurar a unidade de saúde do bairro e perguntar sobre acompanhamento para parar de fumar;
  • lembre que voltar a fumar é comum e não apaga o esforço. Veja gatilhos de recaída: pessoas, lugares e emoções;
  • se o cigarro vem junto com álcool ou outras drogas, a conversa deve incluir isso.

Para entender a nicotina em forma de vapor, leia vape vicia?, e para o ambiente da família, Dia Mundial Sem Tabaco: como a família ajuda. Se o parente fuma e também não consegue parar de beber ou usar drogas, fale com a nossa equipe.

Por que isso importa para quem convive com a dependência?

A nicotina costuma aparecer junto com outras dependências, e o cigarro na mão pode ser um gatilho para quem está em recuperação do álcool ou de outras drogas. Por isso a família que acompanha um tratamento tem um ponto de vista próprio sobre o que o consumidor vê e sente diante de um maço. Participar também é uma forma de transformar a preocupação do dia a dia em algo concreto, com data para acabar e um canal oficial para ser ouvida.

Como seria uma contribuição curta e útil?

Um exemplo de estrutura, para você adaptar com as suas palavras:

"Sobre a proposta da consulta 1.424/2026, comento a imagem do anexo [número]. Na minha família, a mensagem não ficou clara para [quem]. Sugiro [mudança simples] porque [motivo]."

Veja que a contribuição aponta uma proposta, descreve o que aconteceu e sugere uma mudança. Não precisa de dado técnico, de ataque a ninguém nem de dados pessoais da família.

O que a consulta não muda?

Ela não cria tratamento, não define preço de produto e não substitui o acompanhamento de saúde de quem quer parar. Também não resolve o ambiente de casa: a fumaça na varanda, o maço na mesa e a rotina do cafezinho continuam sendo decisões da família. A consulta cuida do que o consumidor lê; o cuidado com a pessoa continua sendo de quem convive com ela.

E se o familiar não quer nem ouvir falar do assunto?

Respeite o ritmo, mas não desista da conversa. Uma conversa sem cobrança deixa a porta aberta para uma próxima vez. Veja também como convencer um dependente a se tratar. Pessoas de Camaçari e de toda a Bahia podem tirar dúvidas com a equipe.

Como podemos ajudar

No Centro Terapêutico Amor em Cristo, em Monte Gordo, Camaçari, o plano terapêutico individual é feito com avaliação psiquiátrica presencial, enfermagem 24 horas, a família junto e sigilo. Pergunte se o serviço atende o perfil da pessoa que você quer ajudar. Conheça o tratamento para dependência química.

A internação pode ser uma possibilidade?

Sim. A internação pode fazer parte do tratamento da dependência química, do alcoolismo ou de quadros de saúde mental quando os cuidados fora do hospital são insuficientes. A indicação depende de avaliação médica individual — não é necessária para todas as pessoas e não deve ser decidida apenas pela leitura de um artigo.

No Centro Terapêutico Amor em Cristo Bahia, você pode conversar com a equipe sobre essa possibilidade e os próximos passos. Antes de qualquer decisão, confirme se o serviço atende à idade, ao perfil e às necessidades da pessoa, além das condições de atendimento. O contato pelo WhatsApp não garante vaga nem substitui a avaliação médica.

Conforme o art. 4º da Lei 10.216/2001. Em risco imediato à vida, procure a emergência mais próxima ou ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Preciso ser especialista para participar da consulta pública?

Não. Segundo a Anvisa, as contribuições podem ser enviadas pela população durante o prazo. O que ajuda é ser claro: diga a qual proposta se refere, o que mudaria e por quê, com as suas palavras.

A consulta pública vai proibir o cigarro?

Não. As duas consultas tratam apenas das advertências e imagens que aparecem nas embalagens e nos mostruários. Elas não criam proibição nem tratamento; só discutem o que o consumidor vê.

A mudança das imagens basta para um familiar parar de fumar?

Não há como prometer isso. Para quem tem dependência de nicotina, o que costuma pesar são o acompanhamento de saúde, o apoio da família e um plano para os momentos de maior vontade. A imagem do maço pode, no máximo, servir de ponto de partida para uma conversa.

Onde vejo as propostas completas, com as imagens?

No portal de legislação da Anvisa, nas páginas das consultas 1.424/2026 e 1.425/2026, segundo a própria Agência. Lá ficam a íntegra das propostas e os documentos de apoio.

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