26 de junho, Dia Internacional contra as Drogas: o que a família pode fazer
Por Gilberto Riccio, advogado (OAB/BA 46.638) e Diretor Jurídico do centro · Atualizado em 18/10/2026
O 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, criado pela ONU em 1987. Para a família, a data é um bom pretexto para uma conversa franca em casa, sem sermão: perguntar o que os filhos sabem, ouvir sem julgar, combinar regras claras e saber onde pedir ajuda se alguém já estiver usando.
De onde vem o 26 de junho, dia contra as drogas?
A data foi definida pela Assembleia Geral das Nações Unidas na Resolução 42/112, de 7 de dezembro de 1987. O texto decide marcar o 26 de junho, todos os anos, como o dia internacional contra o abuso e o tráfico de drogas. A escolha lembra o encerramento da conferência internacional sobre o tema, realizada em Viena naquele mês.
Na prática, o dia funciona como um lembrete anual: governos, escolas, igrejas e serviços de saúde aproveitam a data para falar de prevenção e tratamento. Na Bahia, ele cai na mesma semana do São João, quando o álcool está em toda parte. Vale juntar as duas conversas, e o nosso texto sobre São João, álcool e recuperação ajuda nisso.
Por que vale conversar em casa, e não só na escola?
A escola informa, mas é em casa que o jovem testa o que ouviu. O Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA (NIDA) explica que começar a usar cedo aumenta o risco de dependência, porque o cérebro ainda está em formação na adolescência, e que ambiente familiar, convivência e acompanhamento dos pais pesam no risco, para mais ou para menos.
Também ajuda saber que o álcool é a substância mais presente no dia a dia do brasileiro, como mostra o III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, da Fiocruz. Por isso a conversa não pode ficar só nas drogas ilícitas: a cerveja do churrasco e o licor da festa também entram. Para entender o que aumenta ou diminui a chance de alguém desenvolver o problema, veja os fatores de risco da dependência química.
O que diz a lei sobre álcool e menores de idade?
O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe vender bebida alcoólica a criança ou adolescente (art. 81) e torna crime vender, fornecer, servir ou entregar a eles, mesmo de graça, bebida alcoólica ou outros produtos que possam causar dependência (art. 243). A regra vale também para adultos da família.
Esse ponto costuma surpreender. Uma dúvida comum que chega até nós é se “um golinho em casa” protege, porque o jovem aprenderia a beber com a família. A lei não faz essa exceção, e o recado mais seguro para o adolescente é coerência: o que se fala na conversa precisa aparecer no que os adultos fazem.
Como usar a data em casa: um roteiro de 5 passos
- Escolha um momento calmo. No carro, na cozinha, numa caminhada. Evite o dia de uma briga ou a volta de uma festa.
- Comece perguntando, não explicando. “Você viu alguma coisa sobre esse dia na escola? O que acharam?” Ouvir primeiro abre mais portas do que um discurso pronto.
- Fale de fatos, sem terror. Exagero e ameaça fazem o jovem desconfiar de tudo o que vem depois. Diga o que é verdade e admita quando não souber.
- Combine regras e um “plano de saída”. Por exemplo: em qualquer festa, ele pode ligar a qualquer hora para ser buscado, sem bronca naquela noite. A conversa sobre o que aconteceu fica para o dia seguinte.
- Marque a próxima conversa. Prevenção não cabe numa data só. Use notícias, séries e situações do bairro para voltar ao tema ao longo do ano.
Se a pessoa que preocupa já é adulta e já está usando, a abordagem muda. Nesse caso, veja como convencer um dependente a se tratar.
E na escola: o que funciona no dia contra as drogas?
Professores e coordenadores que nos procuram costumam perguntar o que levar para a semana do 26 de junho. Algumas ideias simples:
| Em vez de… | Prefira… |
|---|---|
| Imagens chocantes e histórias de terror | Informação correta, com fonte, e espaço para dúvida |
| Uma palestra única no auditório | Rodas de conversa em turmas menores, retomadas ao longo do ano |
| Falar só das drogas ilícitas | Incluir álcool, cigarro, vape e remédios sem receita |
| Tratar quem usa como “vilão” | Falar de doença tratável e de onde pedir ajuda |
| Deixar a família de fora | Convidar os responsáveis para uma conversa própria |
Também vale deixar claro, para alunos e famílias, onde fica o serviço público da região, como o CAPS AD, que atende no SUS.
Quando procurar ajuda profissional?
A data pode revelar que o problema já existe. Procure orientação quando:
- o uso ficou frequente, escondido ou passou a gerar mentiras e sumiço de dinheiro;
- notas, trabalho, sono ou amizades mudaram de forma brusca;
- a pessoa tenta parar e não consegue;
- há agressividade, tristeza profunda ou falas de desesperança.
Para saber por onde começar na rede pública e particular, veja onde buscar ajuda para dependência química em Salvador e região.
Em sinais de intoxicação ou risco imediato à vida, procure a emergência mais próxima ou ligue 192 (SAMU). Se surgirem falas sobre não querer viver, o CVV atende 24 horas pelo 188, de graça.
Como podemos ajudar
No Centro Terapêutico Amor em Cristo, em Monte Gordo, Camaçari, a família participa do tratamento desde a primeira conversa. Há avaliação psiquiátrica presencial, enfermagem 24 horas, plano terapêutico individual e sigilo. Saiba mais na página para famílias. Recebemos famílias de Camaçari e de toda a Bahia.
Em resumo
- O 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, definido pela ONU em 1987.
- A data rende mais como começo de conversa do que como palestra única.
- O ECA proíbe vender ou dar bebida alcoólica a menores de 18 anos, inclusive dentro de casa.
- Pergunte, ouça, fale de fatos sem terror e combine um plano de saída.
- Se o uso já existe, busque avaliação: dependência é doença tratável.
Perguntas frequentes
Qual é o nome oficial do 26 de junho?
É o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, definido pela Assembleia Geral da ONU na Resolução 42/112, de 1987. No Brasil, a data costuma ser chamada de Dia Internacional contra as Drogas ou Dia Mundial de Combate às Drogas.
Por que a ONU escolheu o dia 26 de junho?
Porque foi o dia em que terminou, em Viena, a Conferência Internacional sobre o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas de 1987. Em dezembro daquele ano, a Assembleia Geral decidiu marcar a data todos os anos.
Com que idade dá para começar a falar de drogas com os filhos?
A conversa pode começar cedo, com linguagem adequada à idade: com crianças pequenas, sobre remédio só com adulto e sobre cuidar do corpo; com pré-adolescentes, sobre álcool, cigarro e pressão dos amigos. O mais importante é a conversa continuar ao longo dos anos, e não acontecer uma vez só.
Palestra com ex-usuário na escola ajuda na prevenção?
Relatos fortes chamam a atenção, mas susto e medo, sozinhos, costumam ter pouco efeito duradouro. Funciona melhor o que se repete ao longo do ano: informação correta, espaço para o aluno perguntar, adultos de confiança por perto e caminhos claros para pedir ajuda.
Meu filho contou que experimentou. Devo levar para internação?
Não necessariamente. Uma experiência isolada é diferente de dependência, e a primeira resposta é conversar com calma e procurar uma avaliação de saúde. A internação é um recurso para casos específicos, indicado por profissional depois de avaliar o quadro.
Mais sobre bahia
- Onde buscar ajuda para dependência química em Salvador e na região metropolitana
- Corra pro Abraço: o programa da Bahia para quem usa drogas
- Dia das Mães sendo mãe de dependente químico: cuidar de si na data
- 15 de maio, Dia Internacional da Família: a família também precisa de cuidado
- Dia Mundial da Saúde (7 de abril): a saúde do cuidador familiar de quem tem dependência
- Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio): como a família apoia quem quer parar de fumar