20 de fevereiro: Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo

Por Gilberto Riccio, advogado (OAB/BA 46.638) e Diretor Jurídico do centro · Atualizado em 19/10/2026

Revisão clínica: Dra. Maria Carolina Ferreira Lattaro — Médica psiquiatra, CRM 235769/SP

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo é lembrado todo ano em 20 de fevereiro. A data serve para alertar sobre os prejuízos do álcool e de outras drogas e reforçar a prevenção. Como costuma cair logo depois do Carnaval, é um bom momento para a família olhar com calma para o que aconteceu na festa e decidir o próximo passo.

Depois da Quarta-feira de Cinzas, é comum a família pensar: “achei que era só festa, mas passou do ponto”. Ouvir primeiro, sem julgamento, já ajuda a organizar a cabeça.

O que é o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo?

É uma data do calendário da saúde que aparece nas publicações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Segundo o texto do Ministério, o objetivo é alertar a população sobre os danos causados por drogas e pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e estimular uma cultura de prevenção.

Vale um esclarecimento honesto: não encontramos uma lei federal que tenha criado o 20 de fevereiro. A base que conseguimos confirmar é a divulgação pelo próprio Ministério da Saúde. A política pública sobre o tema, essa sim, tem lei: a Lei nº 11.343/2006, que no art. 1º institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad), com ações de prevenção, atenção e reinserção social.

Uma observação sobre o nome: o “combate” é contra a doença e contra o que ela faz com a família, nunca contra a pessoa. A dependência é uma condição de saúde tratável, e quem está nela precisa de cuidado, não de rótulo.

Por que essa data importa tanto na Bahia?

Em Salvador e em boa parte do estado, o verão é uma sequência de festas: Lavagem do Bonfim, Iemanjá, ensaios e, por fim, o Carnaval. São semanas em que beber muito parece normal e em que fica difícil notar quando o uso deixou de ser só festa. Em 2027, o 20 de fevereiro cai num sábado, cerca de dez dias depois da Quarta-feira de Cinzas.

Esse intervalo é valioso. A festa acabou, a rotina voltou, e o que antes passava despercebido agora aparece: a pessoa continua bebendo no meio da semana, falta ao trabalho, fica irritada sem a bebida. Para quem já está em tratamento, é também um período de risco, como explicamos em como atravessar o Carnaval sem recair e no texto sobre as festas de largo de Salvador na recuperação.

O álcool não é um problema pequeno. A Organização Mundial da Saúde estima que o consumo de álcool esteve ligado a cerca de 2,6 milhões de mortes no mundo em 2019. No Brasil, o III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, da Fiocruz, mostra que o álcool é a substância mais consumida pela população, à frente de qualquer droga ilícita.

Quais sinais, depois do Carnaval, merecem atenção?

Ninguém precisa virar fiscal da família. Mas alguns sinais, quando aparecem juntos ou se repetem, pedem uma conversa:

  • O uso não parou com a festa: a bebida ou a droga seguiu no dia a dia, sem ocasião especial.
  • Perda de controle: a pessoa diz que vai beber “só um pouco” e não consegue parar.
  • Prejuízos que se acumulam: faltas no trabalho, dívidas, brigas, acidentes, apagões de memória.
  • Mal-estar quando fica sem: tremor, suor, ansiedade, insônia ou irritação forte.
  • Esconder ou mentir: garrafas guardadas, histórias que não fecham, sumiços.

Se vários itens fazem sentido, o guia sobre como saber se alguém é alcoólatra ajuda a entender melhor o quadro, sem pressa para colocar um nome.

Como usar o 20 de fevereiro em casa: um roteiro simples

A data pode ser o pretexto que faltava para uma conversa que vinha sendo adiada. Um caminho possível:

  1. Escolha a hora certa. Converse quando a pessoa estiver sóbria e descansada, de preferência longe de discussões recentes.
  2. Comece pelo que você viu, não pelo diagnóstico. “Fiquei preocupada quando você não lembrou da volta do circuito” funciona melhor do que “você é alcoólatra”.
  3. Fale do que sente. Medo, cansaço, saudade da pessoa de antes. Sentimento sincero abre mais portas do que acusação.
  4. Ofereça um passo pequeno. Uma consulta, uma ida ao CAPS AD, uma conversa com um profissional. Não é preciso decidir tudo naquele dia.
  5. Combine o que muda em casa. Sem bebida guardada, dinheiro com destino combinado, horários. Combinar funciona melhor do que impor.
  6. Cuide de você também. Grupos de familiares e acompanhamento ajudam a família a não adoecer junto.

Se a primeira conversa não der certo, não é o fim. Veja estratégias em como convencer um dependente a se tratar. E, para as atividades com crianças e adolescentes, o texto sobre o 26 de junho, Dia Internacional contra as Drogas traz ideias para casa e para a escola.

Onde buscar ajuda pelo SUS e fora dele?

O SUS oferece os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e o CAPS AD é o voltado a álcool e outras drogas. A Unidade Básica de Saúde do bairro também pode orientar e encaminhar. Para saber quais serviços existem na capital e na região metropolitana, veja onde buscar ajuda para dependência química em Salvador.

Grupos como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, e os grupos para familiares, são gratuitos e podem andar junto com o tratamento.

Quando é emergência?

Procure atendimento médico com urgência se a pessoa:

  • tem convulsão, confusão, alucinações ou tremor intenso depois de parar de beber;
  • está muito sonolenta, difícil de acordar, vomitando sem parar ou com a respiração lenta;
  • fala em não querer viver ou em se machucar.

Parar de beber de uma vez, sem médico, pode ser perigoso para quem bebe muito há bastante tempo, e é caso de avaliação médica urgente.

Em risco imediato à vida, procure a emergência mais próxima ou ligue 192 (SAMU). Se surgirem falas sobre não querer viver, o CVV atende 24 horas pelo 188, de graça.

Como podemos ajudar

No Centro Terapêutico Amor em Cristo, em Monte Gordo, Camaçari, a pessoa passa por avaliação psiquiátrica presencial, tem enfermagem 24 horas e um plano terapêutico individual, com a família participando e sigilo em todas as etapas. Conheça o tratamento para alcoolismo. Recebemos famílias de Salvador e de toda a Bahia.

Em resumo

  • O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo é em 20 de fevereiro e aparece no calendário de saúde do Ministério da Saúde.
  • Na Bahia, a data chega logo depois do Carnaval, quando muitos excessos ficam mais visíveis.
  • Uso que continua depois da festa, perda de controle e mal-estar sem a bebida são sinais para conversar.
  • Uma conversa calma, com um passo pequeno e concreto, vale mais do que um sermão.
  • Tremor, confusão ou convulsão ao parar de beber são emergência: ligue 192.

Perguntas frequentes

O 20 de fevereiro foi criado por lei federal?

Não encontramos uma lei federal que institua a data. Ela aparece no calendário de datas da saúde divulgado pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, que a descreve como um dia para alertar sobre os prejuízos das drogas e do consumo abusivo de álcool.

Qual a diferença entre o 20 de fevereiro e o 26 de junho?

O 20 de fevereiro é uma data nacional e inclui o alcoolismo no nome. O 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, uma data da ONU. As duas servem para prevenção, mas em épocas e com focos diferentes.

Exagerar na bebida durante o Carnaval já é alcoolismo?

Não necessariamente. Um episódio de excesso não fecha diagnóstico, mas merece atenção se ele se repete, se a pessoa não consegue parar quando quer ou se continua bebendo mesmo com prejuízos. Nesses casos, vale uma avaliação de saúde.

A ressaca de vários dias depois da festa é sinal de alerta?

Pode ser. Tremor, suor, ansiedade forte, insônia ou confusão quando a pessoa para de beber podem indicar abstinência, e não só ressaca. Esse quadro pede avaliação médica, porque parar de repente sem acompanhamento pode ser perigoso.

Como a escola ou a igreja pode marcar a data?

Funciona melhor uma roda de conversa com informação correta e espaço para perguntas do que palestras de susto. Vale apresentar os serviços da região, como o CAPS AD, e deixar claro a quem cada pessoa pode procurar se precisar de ajuda.

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